terça-feira, 26 de abril de 2011

As Folhas

uma menina muito branca
caminha sob um céu azul
observando as folhas secas
antes muito verdes
caírem no chão cinza.

ela nem se pergunta porque.

O Vento

o vento do outono novamente me arrepia a nuca
ele sempre traz um pouco da velha desolação
eu me sinto sempre desprotegido quando ele sopra
e me envolve
me faz querer ser envolvido
devolvido
ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Circus Noir

quando as noites se arrastam rumo ao dia
em um strip-tease em câmera lenta
sob a luz branca e cega de uma enorme lua
pessoas se encontram e se perdem
se cospem e se despem e se metem
se comem, e se amam
se escondem, se abrigam
em plena rua, a plenos pulmões eles gritam
e uivam quando ela está no ápice
quente, louca e nua
então sempre mais é o que eles pedem
mais, mais, e mais dela que não é minha
dela que já foste tua e de todos
que vagam sempre procurando algo ou
alguém que possa ser usado, absorvido
inalado ou dissolvido antes que o dia queime
as retinas e revele toda sujeira
toda a insônia e toda infâmia rotineira
alvorecer de toda insânia
esconderijo dos poetas e suas olheiras
mas ela...a noite, sempre volta
então eles recomeçam a correr atrás delas
das puras sujas, das putas puras
das casadas e das donzelas
novas danças e carícias se consumam
até o dia raiar e eles começarem
novamente a morrer...enquanto elas dormem
os poetas de olhos vidrados fumam folhas em branco
ao som dos estampidos
as mães choram seus filhos e os doentes pedem cura
as crianças pedem o leite que seca nos peitos
e a vida continua...



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

15 Passos

eu dei pra ela um amor que eu não tinha.
eu sei, eu sei como. eu sei que não podia tanto quanto devia.
eu sei. mas mesmo assim eu dei.
eu dei por que sei que ela precisava mais que eu.
eu sei que não havia, por isso inventei.
mas isso não se pode chamar de mentira, porque é verdade.
e verdade por verdade...só depende de quem acredita.

eu acreditei.

eu acreditei nos olhos, e perdi a fé.
acreditei na matéria, na ciência.
eu peguei a pá, desandei a pé.
duvidei do destino, perdi a paciência.

doei tudo que tinha, abri minhas gavetas
revirei os armários, os meus bolsos
escondi meus cadernos, ignorei meu passado
e preenchi o mundo dela.

o meu esvaziei.

e no meu vazio, a cheia dela me inundava.
passaram-se carnavais
sua luz de lua crescente me cegava.
apagavam-se os sinais
minha estrela distante quase não brilhava.
mais, mais, mais, mas
me sentia minguando...e de tão leve e entorpecido

parecia que flutuava.

cheguei a estratosfera
vi o planeta nascer
o sol raiar
a noite cair
e o ciclo recomeçar
mas aí começou
começou a faltar ar
então sua voz era apenas um grito
violento, imperativo

parecia que queria me ferir
me isolar
me banir, me bater
me impedir de querer
eu só queria, eu só queria você
eu só queria morrer (como pude terminar onde comecei?)
ou então acordar (como pude terminar onde eu errei?)

você nunca quis perder, mas não soube como ganhar

mas era só a queda, a minha queda.
o voo inevitável rumo ao eu que ignorei.
o mergulho. meu inexorável retorno ao que
jamais deixei de ser. é, eu voltei.
eu. aquele. que. não. consegue. viver. dando. amor.
sem. receber. um pouco. ao menos. de. calor.

então finalmente o seu fio desenrolou.
rompeu-se o velho e mórbido silêncio.
e o frio me despertou, o apetite de algo que não seja sem sabor.
o gosto pelas velhas e boas e doces palavras. os vinhos e a música.
a curiosidade em sentir de novo o que pode ser o amor.
você tem fatos para o que quer que seja.
a licença poética de ligar as 3 am pra investigar a distância
que você mesma criou entre o que você faz e o que deseja
o que eu faço longe da tua corrente
ou que maré é essa que me arrasta pelo rio
e faz querer me deixar levar pela correnteza.

mas eu não tirarei meus olhos da bola novamente
eu não quero mais as certezas nem as celas
você sempre me enrola e depois corta o fio.
eu já não vejo mais beleza nesse meu sacrifício
eu já te dei vida, pequena, um novo solstício
e não quero mais esse stand-by, não quero mais
precisar de airbags a cada conversa
não quero mais olhar teus olhos parados tentando me parar
como se fossem braços, eu estou indo embora, amor

só mais 15 passos.









terça-feira, 14 de dezembro de 2010

King Of The Rodeo

He's so the purity, a shaven and a mourning,

And standing on a pigeon toe, in his disarray

Straight in the picture pose,
He's coming around to meet you

And screaming like a battle cry, its more if i stay

Me and your cold, driving in the snow,
Let the good times roll, let the good times roll
Cowgirl king of the rodeo, let the good times roll,
Let the good times roll

How dare you come to me like withnail for a favor,
Hold on not my fairy tale you're trying to start

Take off your overcoat, you're staying for the weekend,
And swaying like a smokey grey, a drink in the park

Good time to roll on.

kings of leon