quarta-feira, 11 de maio de 2011

Escapismo #1




Acordou com dificuldade,
os sonhos por piores que fossem, eram apenas sonhos.
Restava ainda a sensação de alívio,
havia se livrado mais uma vez de viver aquelas vidas.

Mais um dia começava com outra fuga bem-sucedida.

O que o levaria de volta ao começo, que por melhor que fosse,
era apenas mais um começo.
Restava ainda um sentimento agridoce,
poderia escolher dessa vez algum novo caminho.

E outro novo dia seguia ecoando a velha pergunta:
- de que vale uma vida que se sonha sozinho?

terça-feira, 26 de abril de 2011

e O Silêncio

fechado em meu silêncio
eu abstraio o estrondo exterior
e apenas espero o tempo correr
e ele escorre
eu olho
tento sentir o mínimo
meu ânima sem muito
ânimo
em estado de espera
nem se desespera
respira, acalma
a alma, inspira
a calma (ainda não)
acaba.

As Folhas

uma menina muito branca
caminha sob um céu azul
observando as folhas secas
antes muito verdes
caírem no chão cinza.

ela nem se pergunta porque.

O Vento

o vento do outono novamente me arrepia a nuca
ele sempre traz um pouco da velha desolação
eu me sinto sempre desprotegido quando ele sopra
e me envolve
me faz querer ser envolvido
devolvido
ao lugar de onde nunca deveria ter saído.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Circus Noir

quando as noites se arrastam rumo ao dia
em um strip-tease em câmera lenta
sob a luz branca e cega de uma enorme lua
pessoas se encontram e se perdem
se cospem e se despem e se metem
se comem, e se amam
se escondem, se abrigam
em plena rua, a plenos pulmões eles gritam
e uivam quando ela está no ápice
quente, louca e nua
então sempre mais é o que eles pedem
mais, mais, e mais dela que não é minha
dela que já foste tua e de todos
que vagam sempre procurando algo ou
alguém que possa ser usado, absorvido
inalado ou dissolvido antes que o dia queime
as retinas e revele toda sujeira
toda a insônia e toda infâmia rotineira
alvorecer de toda insânia
esconderijo dos poetas e suas olheiras
mas ela...a noite, sempre volta
então eles recomeçam a correr atrás delas
das puras sujas, das putas puras
das casadas e das donzelas
novas danças e carícias se consumam
até o dia raiar e eles começarem
novamente a morrer...enquanto elas dormem
os poetas de olhos vidrados fumam folhas em branco
ao som dos estampidos
as mães choram seus filhos e os doentes pedem cura
as crianças pedem o leite que seca nos peitos
e a vida continua...