sábado, 14 de maio de 2011

Miado


Ouvi um gato miando alto
em algum lugar,
e logo segui seu chamado, encontrei-o preso
acuado
não conseguia se livrar do lugar onde havia se enfiado
na verdade conseguiria, mas sabe-se lá por que
ele tinha medo. e miava, miava
então eu fui
entrei debaixo do carro e disse
- gato! por que vc não sai daí, gato?
aí ele respondeu, miau
e saiu correndo
entrou no quintal de uma casa
e desapareceu
então desconfiei que ele estava ali, talvez
porque ele quisesse
pra afastar a tristeza, miando blues
exigindo alguma atenção.
mas eu fiz a minha tentativa
e ele se foi
de volta ao caminho
fui eu que uivei
uma gata ouviu
olhou, brilhou os olhos
miau, como se hoje não...
então sumiu.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

La Luna


Ela andava confusa em seu refúgio sombrio.
Tanta coisa havia acontecido em tão pouco tempo, pessoas adoráveis surgiram, enquanto algumas desejáveis tinham decidido partir. Buscava o equilíbrio, mas faltava um pouco de risco pra que tudo acontecesse.

Ele andava meio perdido no meio daquela luz toda.
Tinha medo de se aproximar muito, de se sentir novamente entregue a sentimentos que, desconfiava, fossem passageiros, mas que deixariam marcas eternas. Procurava conforto, algum recanto pacífico onde seus medos não o encontrassem.

Certo dia, os dois se encontraram, e foi como um eclipse, lindo e efêmero.
Decidiram então realinhar seus astros, e sempre que possível, orbitavam um ao redor do outro, e prometeram que assim seria até que as estrelas caíssem.
Se caíssem...

Escapismo #1




Acordou com dificuldade,
os sonhos por piores que fossem, eram apenas sonhos.
Restava ainda a sensação de alívio,
havia se livrado mais uma vez de viver aquelas vidas.

Mais um dia começava com outra fuga bem-sucedida.

O que o levaria de volta ao começo, que por melhor que fosse,
era apenas mais um começo.
Restava ainda um sentimento agridoce,
poderia escolher dessa vez algum novo caminho.

E outro novo dia seguia ecoando a velha pergunta:
- de que vale uma vida que se sonha sozinho?

terça-feira, 26 de abril de 2011

e O Silêncio

fechado em meu silêncio
eu abstraio o estrondo exterior
e apenas espero o tempo correr
e ele escorre
eu olho
tento sentir o mínimo
meu ânima sem muito
ânimo
em estado de espera
nem se desespera
respira, acalma
a alma, inspira
a calma (ainda não)
acaba.

As Folhas

uma menina muito branca
caminha sob um céu azul
observando as folhas secas
antes muito verdes
caírem no chão cinza.

ela nem se pergunta porque.

O Vento

o vento do outono novamente me arrepia a nuca
ele sempre traz um pouco da velha desolação
eu me sinto sempre desprotegido quando ele sopra
e me envolve
me faz querer ser envolvido
devolvido
ao lugar de onde nunca deveria ter saído.