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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

De:

Deusa encarnada em sua irresistível forma humana
Boca feita de algum tecido celestial
Raros são os que ficam impassíveis ao seu toque macio
Seu gosto surreal testa a sanidade dos escolhidos
Confunde seus sentidos e desperta seus instintos
Os olhos hipnóticos tornam impossíveis os movimentos
Durante a eternidade que duram tais momentos
E suas vítimas cedem e gozam de tal tormento.
Sua presença é feito um fenômeno da natureza
Furacão nas cabeças dos garotos; vendaval
Corrosão no ego das mulheres, vulcão em erupção
Engole os homens descuidados com seu magma e
Causa taquicardia no coração das estátuas
Derrete calotas polares e inunda as cidades com a
Divina Beleza, e os prédios tremem enquanto ela
Caminha com volúpia, na mais suave delicadeza.
Qual mistério, que segredo guarda em tua intocável profundeza?
Que monumento poderia superar a inexplicável simplicidade
Da tua grandeza?
Pobre dos que se pensam sábios para decifrar
Pobre dos profetas que tentam prevê-la
Pobre dos felizes que podem amar-te sem nunca tê-la
E pobre dos poetas! Ah...pobre dos poetas
Cheios de platonismo e tristeza, que vivem
Para eternizá-la em seus versos, sonhando inspirá-la
Para depois soprar ao mundo tuas maravilhas
De menina-mulher com ares de deusa
Deusa das deusas.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Bluebird

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I put whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?

c. bukowski

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

01:36

seu silêncio me dá vontade de gritar
mas meu grito silencia
mais um trago engolido à seco
mais um sopro calado
outro poema suprimido.