quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Circus Noir

quando as noites se arrastam rumo ao dia
em um strip-tease em câmera lenta
sob a luz branca e cega de uma enorme lua
pessoas se encontram e se perdem
se cospem e se despem e se metem
se comem, e se amam
se escondem, se abrigam
em plena rua, a plenos pulmões eles gritam
e uivam quando ela está no ápice
quente, louca e nua
então sempre mais é o que eles pedem
mais, mais, e mais dela que não é minha
dela que já foste tua e de todos
que vagam sempre procurando algo ou
alguém que possa ser usado, absorvido
inalado ou dissolvido antes que o dia queime
as retinas e revele toda sujeira
toda a insônia e toda infâmia rotineira
alvorecer de toda insânia
esconderijo dos poetas e suas olheiras
mas ela...a noite, sempre volta
então eles recomeçam a correr atrás delas
das puras sujas, das putas puras
das casadas e das donzelas
novas danças e carícias se consumam
até o dia raiar e eles começarem
novamente a morrer...enquanto elas dormem
os poetas de olhos vidrados fumam folhas em branco
ao som dos estampidos
as mães choram seus filhos e os doentes pedem cura
as crianças pedem o leite que seca nos peitos
e a vida continua...



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

15 Passos

eu dei pra ela um amor que eu não tinha.
eu sei, eu sei como. eu sei que não podia tanto quanto devia.
eu sei. mas mesmo assim eu dei.
eu dei por que sei que ela precisava mais que eu.
eu sei que não havia, por isso inventei.
mas isso não se pode chamar de mentira, porque é verdade.
e verdade por verdade...só depende de quem acredita.

eu acreditei.

eu acreditei nos olhos, e perdi a fé.
acreditei na matéria, na ciência.
eu peguei a pá, desandei a pé.
duvidei do destino, perdi a paciência.

doei tudo que tinha, abri minhas gavetas
revirei os armários, os meus bolsos
escondi meus cadernos, ignorei meu passado
e preenchi o mundo dela.

o meu esvaziei.

e no meu vazio, a cheia dela me inundava.
passaram-se carnavais
sua luz de lua crescente me cegava.
apagavam-se os sinais
minha estrela distante quase não brilhava.
mais, mais, mais, mas
me sentia minguando...e de tão leve e entorpecido

parecia que flutuava.

cheguei a estratosfera
vi o planeta nascer
o sol raiar
a noite cair
e o ciclo recomeçar
mas aí começou
começou a faltar ar
então sua voz era apenas um grito
violento, imperativo

parecia que queria me ferir
me isolar
me banir, me bater
me impedir de querer
eu só queria, eu só queria você
eu só queria morrer (como pude terminar onde comecei?)
ou então acordar (como pude terminar onde eu errei?)

você nunca quis perder, mas não soube como ganhar

mas era só a queda, a minha queda.
o voo inevitável rumo ao eu que ignorei.
o mergulho. meu inexorável retorno ao que
jamais deixei de ser. é, eu voltei.
eu. aquele. que. não. consegue. viver. dando. amor.
sem. receber. um pouco. ao menos. de. calor.

então finalmente o seu fio desenrolou.
rompeu-se o velho e mórbido silêncio.
e o frio me despertou, o apetite de algo que não seja sem sabor.
o gosto pelas velhas e boas e doces palavras. os vinhos e a música.
a curiosidade em sentir de novo o que pode ser o amor.
você tem fatos para o que quer que seja.
a licença poética de ligar as 3 am pra investigar a distância
que você mesma criou entre o que você faz e o que deseja
o que eu faço longe da tua corrente
ou que maré é essa que me arrasta pelo rio
e faz querer me deixar levar pela correnteza.

mas eu não tirarei meus olhos da bola novamente
eu não quero mais as certezas nem as celas
você sempre me enrola e depois corta o fio.
eu já não vejo mais beleza nesse meu sacrifício
eu já te dei vida, pequena, um novo solstício
e não quero mais esse stand-by, não quero mais
precisar de airbags a cada conversa
não quero mais olhar teus olhos parados tentando me parar
como se fossem braços, eu estou indo embora, amor

só mais 15 passos.









terça-feira, 14 de dezembro de 2010

King Of The Rodeo

He's so the purity, a shaven and a mourning,

And standing on a pigeon toe, in his disarray

Straight in the picture pose,
He's coming around to meet you

And screaming like a battle cry, its more if i stay

Me and your cold, driving in the snow,
Let the good times roll, let the good times roll
Cowgirl king of the rodeo, let the good times roll,
Let the good times roll

How dare you come to me like withnail for a favor,
Hold on not my fairy tale you're trying to start

Take off your overcoat, you're staying for the weekend,
And swaying like a smokey grey, a drink in the park

Good time to roll on.

kings of leon

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

De:

Deusa encarnada em sua irresistível forma humana
Boca feita de algum tecido celestial
Raros são os que ficam impassíveis ao seu toque macio
Seu gosto surreal testa a sanidade dos escolhidos
Confunde seus sentidos e desperta seus instintos
Os olhos hipnóticos tornam impossíveis os movimentos
Durante a eternidade que duram tais momentos
E suas vítimas cedem e gozam de tal tormento.
Sua presença é feito um fenômeno da natureza
Furacão nas cabeças dos garotos; vendaval
Corrosão no ego das mulheres, vulcão em erupção
Engole os homens descuidados com seu magma e
Causa taquicardia no coração das estátuas
Derrete calotas polares e inunda as cidades com a
Divina Beleza, e os prédios tremem enquanto ela
Caminha com volúpia, na mais suave delicadeza.
Qual mistério, que segredo guarda em tua intocável profundeza?
Que monumento poderia superar a inexplicável simplicidade
Da tua grandeza?
Pobre dos que se pensam sábios para decifrar
Pobre dos profetas que tentam prevê-la
Pobre dos felizes que podem amar-te sem nunca tê-la
E pobre dos poetas! Ah...pobre dos poetas
Cheios de platonismo e tristeza, que vivem
Para eternizá-la em seus versos, sonhando inspirá-la
Para depois soprar ao mundo tuas maravilhas
De menina-mulher com ares de deusa
Deusa das deusas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Explicações (uma tentativa)

Eu tenho tentado sorrir, mas dói. Como se essa licença me tivesse sido tirada, como se o rasgo na minha cara fosse costurado, como se parecesse algo sempre simulado. Nunca os cigarros queimaram tão rápido e ansiosos por evaporarem me consumindo, nunca os consumi com tanto asco, me sentindo obrigado a ser tragado pela fumaça que finge me aliviar e me levar com ela pra longe, para o cume do ar.
Eu tenho tentado viver em paz, sem escolher um lado, sem ignorar meu fardo, sem esquecer meu passado mesmo sendo tentado. Não consigo mais ser tão dissimulado. Ser eu no palco e fora dele um ator. Ser contaminado pela descrença alheia, ser só mais um idealista a afundar nessa coisa movediça, nessa areia composta dos restos dos sonhos de gente que desiste. Eu insisto. Eu existo, acho.
Eu tenho sido incapaz de amar mais. Tenho o que veio antes e o que vem depois mas não sei o que fazer agora nesse limbo de existência, o meu eu. Eu esse que não aprende a se prender, continuamente se desprende com excelência, deixando coisas pendentes, caindo eternamente feito estrela cadente com um brilho fosco de abajur antigo de um tempo decadente.
Esse eu deveria ser outro. Deveria ser o que os outros veem. O holograma. A pintura. O intelecto, o charme, os olhos, a cultura, o som, o beijo, o abraço, o estilo, a pica dura. Mas não. Esse eu é outro. Esse aqui é mais real, mais perdido. Esse aqui tem dúvidas e dentes a menos. Tem a doença de sempre querer uma cura.
Onde está a cura afinal?
Pra minha EQM constante, qual a solução pra esse eu que não consegue deixar de ser uma tristeza ambulante, um pedinte mendicante que não consegue dar amor? Eu não posso fingir felicidade, se tudo que sinto é dor, não posso despertar estando chapado nesse torpor.
Sinto que não posso esperar a salvação chegar, nem a loucura passar e muito menos minha vida naufragar. Sinto que não posso me entregar a algo que me consome, que me engole e me vomita todo dia e nas noites me mastiga devagar.
Sinto que disse e disse e disse, sem conseguir explicar. Outra vez falhei.
Sinto que sendo inútil então dizer, talvez seja melhor calar.
Calei.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nós um dia, por J.K.

"Eu podia reclamar do mel na buceta de uma mulher, ou cantar uma música sobre como você pode morrer asfixiado num túnel fechado; ou cuspir em lábios rosados que emolduram e dão forma ao desejo íntimo de não querer mais nada a não ser um cacete, que é o olhar no rosto de uma boa mulher, Jack. Essa aqui usando essa imitação de renda para esconder a buceta verdadeira (imitação etc.) com os olhos líquidos e negros, toda selvagem e meia-noite, toda macieira e ouro, sem pose estúpida nem sarcasmo, sem o comercialismo odioso, como uma puta fazendo biquinho, mas com os lábios de vagabunda safada, chupa, fica aí perto, come, faz até o fim, bonequinha linda os pêlos entre suas coxas são a minha meia-noite; as luzes do teu constelolhar me fazem ver a lua e seu velho rosto triste sempre enluarando o mundo, não importa o que aconteça; éramos eu e você debaixo de um teto, querida, amor, coração, a lua com a mesma condominânçia biceptual, bissexual explodiria num clarão azul para as nossas almas e você, anjo, teus pulsos me deixam com fome, a tua cada partezinha minúscula de fêmea em ti por todo teu corpo é mulher, eu não resistiria nem na igreja, eu lamberia o teu ventre claro em qualquer lugar, diante de qualquer multidão, a qualquer hora, na cruz, no Gólgota, num monte de neve, numa cerca, eu te daria um salário-base de $57,90 por semana e faria você me chupar ao lado da máquina de lavar roupa enquanto o sol vermelho afunda no Pacífico como um cliente de puta, ah sua adorável coisinha admirável de olhos cinza dos sóis, mulher, coração lindo, corça perfeita, coelha, vai te foder, eu quero meter a mão nas tuas coxas e separar elas à força e quero que você fique só deitada me olhando, me olhando, você pode me olhar o quanto quiser e eu posso te olhar o quanto eu quiser, um entendimento perfeito, chega de Rimbauds, chega de perfumes, de poemas, que nem você, sempre quis ser, desde o início até agora o princípio, que nem sempre gata querida, é assim que vai ser, e a lua ainda está lunisserrando o pobre nada?"