quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um trecho


[Extraído do meu ainda inédito "Crônicas do Telemarketing"] :

"Se o Inferno é a repetição, as ilhas de telemarketing flutuam no mar de lava do 8º círculo do Submundo.
Incubus e Succubus ofertando descontos em aparelhos celulares; criaturas grotescas repetindo mantras mal escritos que ecoam até o alto das antenas das cidades encantando pobres mortais sedentos por comunicação sem limites e novas tecnologias.
A cada aceite as criaturas gozam e seus olhos flamejam e mais um pedaço de alma fresca alimenta o sistema digestivo do Grande Sistema carnívoro que por sua vez caga sobre a superfície do planeta poluindo com seus dejetos os quatro cantos do globo."

(...)

terça-feira, 17 de abril de 2012

A voz

Me fala
me toca com sua alma
ao menos, fala
deixa sua voz entrar em mim
logo de uma vez
pra ver se esqueço todo o bem
que você me fez
e toda calma que você me traz
quem sabe você me pedindo
eu abstraia essa ausência de sentido
esqueça que me falta o toque
e uma peça chave desse quebra-cabeça
então fala
me convença que o vazio que eu deixei
te completa mais que a minha presença
talvez assim essa dor silenciosa
desapareça no ar junto com sua voz
e sua essência
suave, efêmera...

Uma réstia de sol



Eu quero de volta o brilho nos olhos
e o sorriso que me contamina
e que chega antes do toque que arrepia
o beijo que umedece e precede
o ar que sai dos seus pulmões e me aquece
a pele, o tato das mãos que agarram sem pretensão
de soltar
cheias de calor que enlouquece e preenche
isso sem falar dos cabelos que espalham
o cheiro fresco de banho pelo ar e
das omoplatas feito alças pra pegar ou
da curva que desce pelas tuas costas
para eu deslizar até suas pernas que me enrolam
feito cobras
e subir dizendo baixo em seu ouvido
aquilo que tu gostas de ouvir
dizer que se não for pra te amar
eu prefiro partir e esquecer de lembrar
que você existe em qualquer lugar
fora de mim
é triste que no final das contas
o amor seja assim
um sim
depois um não
depois o fim
(então penso que se é amor não pode ter fim)
então invento um novo início
onde todo o sofrimento e suplício
já havia sido vivido noutro dia
e o que resta é uma manhã de domingo
uma réstia de sol que alcança nossos pés na cama
e um abraço longo ao invés do bom dia...