sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nós um dia, por J.K.

"Eu podia reclamar do mel na buceta de uma mulher, ou cantar uma música sobre como você pode morrer asfixiado num túnel fechado; ou cuspir em lábios rosados que emolduram e dão forma ao desejo íntimo de não querer mais nada a não ser um cacete, que é o olhar no rosto de uma boa mulher, Jack. Essa aqui usando essa imitação de renda para esconder a buceta verdadeira (imitação etc.) com os olhos líquidos e negros, toda selvagem e meia-noite, toda macieira e ouro, sem pose estúpida nem sarcasmo, sem o comercialismo odioso, como uma puta fazendo biquinho, mas com os lábios de vagabunda safada, chupa, fica aí perto, come, faz até o fim, bonequinha linda os pêlos entre suas coxas são a minha meia-noite; as luzes do teu constelolhar me fazem ver a lua e seu velho rosto triste sempre enluarando o mundo, não importa o que aconteça; éramos eu e você debaixo de um teto, querida, amor, coração, a lua com a mesma condominânçia biceptual, bissexual explodiria num clarão azul para as nossas almas e você, anjo, teus pulsos me deixam com fome, a tua cada partezinha minúscula de fêmea em ti por todo teu corpo é mulher, eu não resistiria nem na igreja, eu lamberia o teu ventre claro em qualquer lugar, diante de qualquer multidão, a qualquer hora, na cruz, no Gólgota, num monte de neve, numa cerca, eu te daria um salário-base de $57,90 por semana e faria você me chupar ao lado da máquina de lavar roupa enquanto o sol vermelho afunda no Pacífico como um cliente de puta, ah sua adorável coisinha admirável de olhos cinza dos sóis, mulher, coração lindo, corça perfeita, coelha, vai te foder, eu quero meter a mão nas tuas coxas e separar elas à força e quero que você fique só deitada me olhando, me olhando, você pode me olhar o quanto quiser e eu posso te olhar o quanto eu quiser, um entendimento perfeito, chega de Rimbauds, chega de perfumes, de poemas, que nem você, sempre quis ser, desde o início até agora o princípio, que nem sempre gata querida, é assim que vai ser, e a lua ainda está lunisserrando o pobre nada?"

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Moonline

Ainda me encontro acordado enquanto todos dormem.
Há alguns anos apaixonei-me pela noite, e em seu tributo, só adormeço quando amanhece.
Em frente ao espelho do banheiro, diagnostico-me solitário. Por outro lado alguns dizem que se importam. Mas nós nos acostumamos a relembrar os momentos compartilhados. E os que estamos sós?
Naquele reflexo, miro meus olhos, e perdido naquele espaço verde-folha vislumbrei todo esse lapso e tive um calafrio. Estava sozinho, óbvio, sempre estive, e mesmo assim estranhei.
Apaguei a luz e re-acendi em seguida. Ainda era o mesmo. Ou não? De fato a escuridão muda um pouco as coisas. E quando retorna a luz, nem tudo está no mesmo lugar.
Quanto aos sentimentos, tento reciclá-los, mas não sou tão puro assim. Inconstantes, necessitam sempre de manutenção, como um antivírus.
Spywares insistentes tentam corromper meu sistema, envenenando-me com incertezas e outras tolices. Mando todos para a lixeira.
Mas um pedaço de mim sempre vai junto.
Delete.
Sem back-up, busco upgrades. Reinicio. A essa hora estão todos off.
Só a Lua minguante, oculta pelo teto úmido, sorri sarcástica, seu status Online...

Viva la vida

São nessas horas que a folha em branco não é nada, só um pedaço de papel esperando o próximo golpe.
Mas devo situá-los - aqui em São Paulo - Brasil - América Latina pra quem não sabe - muitas e muitas e muitas coisas acontecem todo o tempo, e tudo é tão corrido que minha caligrafia desce pelos meus dedos tão rápida e violentamente que temo não compreender o que quero explicar, entende?
Aqui eu encontro.
Eu me encontro.
E me perco, me encontrando.
Me acho me perdendo.
E gosto. Me encosto, descanso, e quando vejo
Ainda são dez horas e um novo encontro
Nunca demora. Há sempre o próximo capítulo
O próximo apocalipse - um novo holocausto? -
Mas isso é o de menos quando você vive mais
Então os bares e as cervejas e os músicos tocam e
Tocam e te tocam
Então você canta para o mundo e ele sorri
E é aí que você percebe que é tudo. Que você é tudo, e
O tudo depende de você.
Equilíbrio. Companhia. Alicerces. Bucetinhas. Bons amigos. Cervejas
E quando falta amor ou maconha, você torce pela próxima maré.
As ondas. Tubos e tubos. Então você pede que a vida seja boa com você.
E se esquece que VOCÊ tem de ser bom com a vida.
Aí você se fode. Se torna fraco e triste e talvez um suicida.
Você mergulha no abismo, e nem se dá conta de como tudo é
Tão simples.
Viva la vida!