terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Uma Carta


Eu estive perdido nas ruas da cidade, com meus passos largos e rápidos,
Sem destino algum, minha vista embaçada e sem foco e sem cor, como num filme noir daqueles bem sujos, é, eu caminhei muitas milhas até aqui.
Eu vi todo tipo de pessoas e vi pessoas que haviam deixado de ser e vi a expressão do mundo nos olhos de um garoto de no máximo oito ou nove anos de idade que idolatrava e beijava sua garrafinha de tiner como se fossem as chagas de Cristo.
Quando me olhar nos olhos, não fique constrangido por não reconhecer o velho brilho, e se isso lhe entristecer eu irei entender. Minhas lágrimas secaram e minhas olheiras denunciam que perdi o sono há tempos. E nesse meio tempo, enquanto estava perdido e tentando me encontrar, muita coisa mudou pelo que vejo.
Me desculpe, mas não posso deixar de achar graça quando você se refere “ao meu mundo”, como se não fosse também o seu.  É triste que nossas reminiscências não passem de pura nostalgia, folhas de papel amareladas cheias de retalhos de antigos sonhos, às traças, ‘nosso mundo’, às traças.
Enquanto você trepava prestando tributos à Dionísio e toda sorte de paganismo orgiático, seguindo firmemente sua convicção de arauto da Luxúria, eu andei  sobre poças d’água e procurei bitucas pelo chão e ouvi sussurros e gritos e murmúrios pelos cantos e ao fundo o ressoar dos cascos de cavalos negros como a noite e rápidos como o vento, e por onde passavam tudo era lamento meu  caro, lamentos, e enquanto isso eu tentava imaginar em que ponto tornamo-nos insuportáveis e nocivos um ao outro.
Interdependência? Talvez. Existiam muitas coisas entre nós, sabíamos muito um do outro, e isso incomodava as pessoas; éramos livres e libertinos e rápidos demais pra que qualquer um daqueles párias acompanhasse. Quando tentavam ser como nós já havíamos mudado e mudado de novo. Esses foram os velhos tempos meu amigo, mas nos perdemos.  Eu dentro de mim, e você dentro de alguém.
Agradeço que tenhas indagado-me sobre aquele assunto, mas deixo minhas apologias, perdi  a prática quanto à enigmas e já não tenho a insistencia necessária para que fales claro comigo, logo, eu passo.
Se quiser conversar à respeito, sabe onde me encontrar, quando quiser.
No mais, espero que alcance seu objetivo, se é que ainda tens algum.


Um beijo fraterno, do seu,
                                    Lou.

5 comentários:

Pedro disse...

Que coisa linda, amigo!!!
Olha teu blog tá lindo demais e eu vou indicá-lo no Blog fastlovefastlife.blogspot.com, ok??

Não sei que dia, porque eu só faço parte do blog, mas vou colokar um link pr teu bçog lá...
Isso se vc quiser, né?

Se quiser me responda aqui mesmo...

Tá tudo muito lindo!!!
To criando coragem pra criar o meu!!!
O que acha??

Bjos, Pedro

Arlequim disse...

Poxa, Ban. Muito bacana, muito bacana mesmo. Um tanto triste, mas quando se trata de realidade é quase inutil deixar a tristeza de lado. Curti a aqui, bem bacana mesmo.
Beijos

marvin . disse...

ow pedro, indica lá sim!


e trata de fazer teu blog e postar as coisas q vc escreve, cara, compartilhe, troque, vc só tem a ganhar.

abraços...

Pedro disse...

Teu Blog ta indicado lá no fastlovefastlife.blogspot.com!!!

Vlw fera??
Pedrinho

Aurora disse...

Ah, adoro cartas...